Desejo contar uma fábula de La Fontaine chamada Os Dois Alforjes. Gosto muito desta história, pois toca de forma muito sensível num aspecto comum da vida cotidiana: O modo que as pessoas se referem a outras.
Para melhor entendimento da fábula, é importante salientar que alforje é um duplo saco, ligado por uma faixa no meio, formando duas bolsas iguais, sendo usado ao ombro ou no lombo de animais, de forma que um lado fique oposto ao outro.
Os Dois Alforjes
Um dia, Júpiter convocou todos os animais para comparecerem diante dele, a fim de, comparando-se com os outros, cada animal reconhecesse os próprios defeitos e limitações. Deste modo, Júpiter poderia corrigir as imperfeições.
Os animais, um a um, foram chegando. Sobre si, gabavam-se de suas qualidades, elogiavam-se a si próprios e só relatavam os defeitos alheios. O macaco, ao ser questionado se estava feliz com seu aspecto, respondeu:
– Mas obvio que sim! Cabeça, tronco e membros eu os tenho perfeitos. Em mim praticamente não acho defeitos. É pena que nem todo o mundo seja assim... – Os ursos, por exemplo, que deselegante!
O urso veio em seguida, porém não se queixou de seu aspecto físico. Pelo contrário, até gabou-se de seu porte. Fez críticas aos elefantes: orelhas demasiadamente grandes; caudas insignificantes. Animais grandalhões, sem graça e sem beleza.
Já o elefante pensa o oposto e se acha encantador: porém, a natureza exagerou, para o seu gosto, quanto à gordura da baleia.
A formiga, ao falar da larva, franze o rosto: – Que pequenez mais triste e feia!
Assim são os homens. É como se lhes tivessem colocado dois alforjes: no peito, o alforje com os males alheios, e nas costas, o alforje com os próprios males. De tal modo que eles são cegos quanto aos próprios defeitos, mas enxergam com nitidez os defeitos dos outros.
As fabulas comumente contém uma lição de moral. É fácil perceber o que La Fontaine queria dizer; ele mesmo nos afirmar tacitamente no final do texto que “Assim são os homens...” Entretanto, nos reservaremos ao direito de refletir um pouco mais sobre os fatores psicológicos e emocionais que nos fazem, tantas vez, encarar o mal, o feio, o errado nos outros, sem nada disso perceber em nós mesmos. Enxergamos um cisco no olho do outro, mas não vemos uma trave diante de nossos olhos, como disse Jesus. Por que isto? Quais as causas, as razões? Como transformarmos esta forma de ver? Nos próximos textos estudaremos tais questões! Até mais...
(Baseado no livro ‘La Fontaine e o comportamento humano’, ditado por Hammed, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto)
Para melhor entendimento da fábula, é importante salientar que alforje é um duplo saco, ligado por uma faixa no meio, formando duas bolsas iguais, sendo usado ao ombro ou no lombo de animais, de forma que um lado fique oposto ao outro.
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Os Dois Alforjes
Um dia, Júpiter convocou todos os animais para comparecerem diante dele, a fim de, comparando-se com os outros, cada animal reconhecesse os próprios defeitos e limitações. Deste modo, Júpiter poderia corrigir as imperfeições.
Os animais, um a um, foram chegando. Sobre si, gabavam-se de suas qualidades, elogiavam-se a si próprios e só relatavam os defeitos alheios. O macaco, ao ser questionado se estava feliz com seu aspecto, respondeu:
– Mas obvio que sim! Cabeça, tronco e membros eu os tenho perfeitos. Em mim praticamente não acho defeitos. É pena que nem todo o mundo seja assim... – Os ursos, por exemplo, que deselegante!
O urso veio em seguida, porém não se queixou de seu aspecto físico. Pelo contrário, até gabou-se de seu porte. Fez críticas aos elefantes: orelhas demasiadamente grandes; caudas insignificantes. Animais grandalhões, sem graça e sem beleza.
Já o elefante pensa o oposto e se acha encantador: porém, a natureza exagerou, para o seu gosto, quanto à gordura da baleia.
A formiga, ao falar da larva, franze o rosto: – Que pequenez mais triste e feia!
Assim são os homens. É como se lhes tivessem colocado dois alforjes: no peito, o alforje com os males alheios, e nas costas, o alforje com os próprios males. De tal modo que eles são cegos quanto aos próprios defeitos, mas enxergam com nitidez os defeitos dos outros.
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As fabulas comumente contém uma lição de moral. É fácil perceber o que La Fontaine queria dizer; ele mesmo nos afirmar tacitamente no final do texto que “Assim são os homens...” Entretanto, nos reservaremos ao direito de refletir um pouco mais sobre os fatores psicológicos e emocionais que nos fazem, tantas vez, encarar o mal, o feio, o errado nos outros, sem nada disso perceber em nós mesmos. Enxergamos um cisco no olho do outro, mas não vemos uma trave diante de nossos olhos, como disse Jesus. Por que isto? Quais as causas, as razões? Como transformarmos esta forma de ver? Nos próximos textos estudaremos tais questões! Até mais...
(Baseado no livro ‘La Fontaine e o comportamento humano’, ditado por Hammed, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto)
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